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Por que uma criança não precisa de 24 velocidades.

Aos 7 anos, uma criança devia pensar em pedalar. Não em resolver uma equação Shimano.

TransmissãoLeitura 5 minMaurice Bidon
Ilustração Maurice Bidon: por que uma criança não precisa de 24 velocidades
IlustraçãoAos 7 anos, devíamos pensar em pedalar. Não em resolver uma transmissão.

O problema da bicicleta júnior moderna é que por vezes se tem a impressão de que alguns adultos tentam preparar uma criança para o Tour de France… antes mesmo de ela saber tirar um casaco a pedalar.

Triplo prato. 24 velocidades. Suspensões. Ecrã GPS. Transmissão complicada. Manetes impossíveis de alcançar. Cockpit que parece o painel de um caça.

E no meio de tudo isto? Uma criança de 7 anos que só queria pedalar depressa com os amigos.

Nessa idade, o verdadeiro luxo… é uma bicicleta simples.

Uma criança não pedala como um adulto

Um adulto compreende uma mecânica. Antecipa. Reflete. Adapta o seu esforço. Sabe que deve cruzar menos, rodar mais, baixar uma mudança antes da lomba, antecipar a mudança de ritmo.

Uma criança, essa, quer sobretudo acelerar, virar, travar, levantar-se do selim, seguir os grandes e ter a impressão de ser o Pogacar numa subida de 4%.

Quanto mais complexidade se acrescenta, mais prazer se retira.

O problema não é mecânico

O problema das 24 velocidades numa bicicleta infantil não é apenas técnico. É emocional.

Quando uma bicicleta se torna complicada, a criança começa a pensar na bicicleta em vez de pensar em pedalar.

E assim que se torna complicado, torna-se menos fluido. Menos instintivo. Menos divertido.

Aos 7 anos, devíamos pensar em pedalar. Não em resolver uma transmissão.

A simplicidade não é uma gama baixa

Confunde-se muitas vezes simplicidade com pobreza técnica. É um erro.

Uma bicicleta simples pode ser muito bem pensada. Uma bicicleta simples pode ser bonita, eficaz, desportiva, premium, coerente. A simplicidade não é a ausência de reflexão. É muitas vezes o resultado de uma reflexão mais exigente.

Para uma criança, uma transmissão legível, intuitiva e coerente vale mais do que uma acumulação de possibilidades que ela não vai usar corretamente.

A bicicleta deve desaparecer

Uma boa bicicleta júnior não é uma bicicleta que impressiona os adultos com uma ficha técnica longa como uma etapa de montanha.

É uma bicicleta que desaparece debaixo da criança.

Uma bicicleta que se esquece. Uma bicicleta natural. Uma bicicleta evidente. Uma bicicleta que deixa espaço ao olhar, às trajetórias, ao prazer, ao fôlego, ao sorriso.

Porque no fundo, uma criança não sonha com “24 velocidades”.

  • Sonha em ir depressa.
  • Sonha em fazer uma curva com estilo.
  • Sonha em seguir os grandes.
  • Sonha em atacar uma pequena subida.
  • Sonha em voltar para casa com o sorriso nos lábios.

Na AEROZO

Na AEROZO, acreditamos que uma bicicleta de estrada júnior deve dar vontade de pedalar como os grandes, sem impor à criança a complexidade dos grandes.

A performance não começa com mais manetes, mais cabos, mais velocidades e mais decisões a tomar.

Começa com uma bicicleta clara. Uma bicicleta legível. Uma bicicleta que dá confiança.

Menos confusão. Mais prazer. É por vezes isso, o verdadeiro progresso.
Desenhado por Maurice Bidon

Especialista autoproclamado em transmissões demasiado complicadas, cockpits absurdos e crianças que só queriam pedalar tranquilamente.

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